Em meados da década de 1970, vislumbrando uma oportunidade de negócio criada a partir da necessidade de modernização da frota de aeronaves de treinamento da Força Aérea Brasileira (FAB), a Embraer passou a estudar as alternativas disponíveis para esse nicho da aviação militar. Na época, as possibilidades se resumiam a aeronaves a jato ou aviões de propulsão convencional, adaptados com motorização turboélice. A opção por uma aeronave com esse tipo de propulsão logo se mostrou mais adequada, principalmente por ser um motor mais econômico, fator fundamental em um cenário de crise internacional do petróleo e da consequente alta nos preços dos combustíveis, que encarecia a hora de voo de treinamento.
Como solução, em 1977, a Embraer apresentou as primeiras propostas do EMB 312 ao Ministério da Aeronáutica, que formalizou um acordo de desenvolvimento no final de 1978. O programa foi oficialmente iniciado em janeiro de 1979.
O EMB 312, designado pela FAB como T-27, tinha desenho avançado para a época e possuía características inovadoras que acabaram por se tornar padrão mundial para aeronaves de treinamento básico. Foi o primeiro avião de treinamento desenvolvido e produzido desde o início como turboélice, mas mantendo características operacionais de aviões a jato. Além disso, e diferente das outras aeronaves de treinamento do inventário da FAB, o EMB 312 não possuía assentos lado a lado, mas sim na configuração em tandem escalonados - onde instrutor e aluno se sentavam no eixo longitudinal da aeronave, sendo o posto traseiro mais elevado, o que permitia ao instrutor a visão frontal. Esta configuração, além de reduzir a área dianteira da aeronave, ainda permitia melhor adaptação do cadete ao ambiente de um caça.
Outra característica inovadora foi a adoção de assentos ejetáveis. O EMB 312 foi o primeiro treinador básico turboélice a ser equipado com esse recurso de segurança. Os tripulantes ficavam abrigados sob uma grande capota transparente em peça única de plexiglass, produzida de forma a não gerar distorções óticas.
O avião foi concebido para ser uma aeronave estável em baixas velocidades e altamente manobrável, especificações importantes para um avião de treinamento básico. Além da missão principal de treinador, ainda poderia receber cargas externas em quatro pontos duros nas asas, permitindo o emprego em missões de treinamento armado, apoio aéreo e ataque ao solo. O primeiro protótipo, matriculado como YT-27 1300, foi apresentado oficialmente em cerimônia de rollout e efetuou o primeiro voo no dia 19 de agosto de 1980 – data da comemoração dos 11 anos da Embraer.
Diante do excelente desempenho do EMB 312 nos primeiros voos de teste, o Ministério da Aeronáutica assinou com a Embraer, em outubro de 1980, uma encomenda de 118 aeronaves, viabilizando o início da produção em série. No ano seguinte, a aeronave foi batizada com o nome "Tucano", após concurso realizado com os cadetes da Academia da Força Aérea (AFA).
O avião logo despertou o interesse internacional e diversos países passaram a testá-lo. As primeiras exportações foram direcionadas a Honduras e Egito. O Tucano foi produzido sob licença tanto para a Força Aérea egípcia quanto para a iraquiana, transformando-se na primeira experiência da Embraer na montagem de aeronaves no exterior.
Pouco depois, a Real Força Aérea (RAF), do Reino Unido, emitiu exigentes requisitos de sua futura aeronave de treinamento, dando início à mais acirrada concorrência militar da época. A Embraer estabeleceu parceria com a empresa irlandesa Short Brothers PLC e o modelo original do Tucano foi modificado, dando origem ao Shorts Tucano, que venceu a concorrência.
Essa vitória foi um marco na história da Embraer, fomentando ampla repercussão na mídia internacional, além de gerar uma terceira linha de montagem na Irlanda do Norte para a produção dos Shorts Tucano.
Em 1991, foi firmado um acordo de venda de 80 aeronaves EMB 312 Tucano para a Força Aérea da França, para quem as entregas começaram a partir de 1994. O Tucano também teve grande aceitação nos países sul-americanos, onde operou com destaque em missões de treinamento e de patrulha do espaço aéreo, sendo importante ferramenta de combate ao narcotráfico. Esta experiência operacional foi fundamental para o desenvolvimento do EMB 314 Super Tucano, sucessor do EMB 312 nas missões de patrulhamento e defesa, assim como nos esquadrões de treinamento avançado da FAB, em substituição ao Xavante.
O EMB 312 revolucionou seu segmento. Depois dele, a maioria dos treinadores turboélice desenvolvidos no mundo passaram a adotar características e soluções muito semelhantes. Ganhou os céus do mundo e, ao todo, 15 forças aéreas operam ou operaram com o Tucano.
Nome da Aeronave: EMB 312 Tucano
Nicho de Mercado: Defesa & Segurança
Especificação dos Motores: 1 Pratt&Whitney PT6A-25C, 750 HP
Alcance: 2058km
Distância de Pouso: 523m
Distância de Decolagem: 641m
Comprimento: 9,86m
Altura: 3,40m
Envergadura: 11,14m
Início do Projeto: 1979
1º Voo: 19/08/1980
Rollout: 19/08/1980