Em meados da década de 1970, a Embraer já havia conquistado reconhecimento mundial e começava a avaliar a possibilidade de firmar parcerias com empresas estrangeiras a fim de viabilizar pesquisas e eventual transferência de tecnologia.
Os primeiros estudos que caminharam nesse sentido tiveram início em 1976, em conjunto com a empresa italiana Macchi que, na época, já possuía um projeto avançado de jato. Já no ano seguinte foi lançado o projeto designado MB 340.
Posteriormente, com o objetivo de atender às necessidades da Força Aérea Italiana, foi concretizada uma associação entre a Aeritália (hoje Alenia) e a Macchi (hoje Aermacchi), dando origem em 1978 ao programa do caça subsônico AMX (A de Aeritália, M de Macchi e X de experimental). A Embraer responderia por 1/3 do programa e dos custos, sendo responsável pelas seções das asas, empenagem e os testes de fadiga da estrutura. A Aermacchi responderia pelos outros 2/3 e produziria a fuselagem, os sistemas de bordo, além de conduzir os testes estáticos e com armamentos.
Após um período de suspensão dos trabalhos, em 1980, autoridades aeronáuticas brasileiras reafirmaram na Inglaterra, na feira de Farnborough daquele ano, a decisão de participar do programa italiano. A oficialização da participação brasileira aconteceu alguns meses depois, em 27 de março de 1981, mediante acordo assinado entre os dois países.
Após alterações contratuais, a Embraer passou a reter 30% do programa e as companhias italianas, 70%. Coube à Embraer o desenvolvimento e a fabricação das asas, tomadas de ar do motor, estabilizadores horizontais, pilones subalares ("cabides de armas") e tanques de combustível. Além disso, a Empresa participou ativamente de todo o projeto dos sistemas de trem de pouso, navegação e ataque, comandos de voo e controle de armamentos. Dois protótipos de ensaio em voo e um de testes de fadiga foram construídos e colocados à prova no Brasil.
O AMX foi concebido como avião monomotor, monoposto, especializado em missões de ataque, privilegiando robustez e confiabilidade para momentos de alta exposição, com longo alcance (compatível com as dimensões continentais de nosso país, incluindo tecnologia para reabastecimento em voo e a incorporação de sistemas avançados de computação, navegação e ataque, além de contramedidas eletrônicas. Contou, entre outras inovações da época, com um sistema de comandos de voo com augmentation system e operação HOTAS (Hands On Throttle And Stick) para navegação e ataque. Uma variante biposto foi desenvolvida em seguida visando tarefas de conversão operacional de pilotos para este tipo de aeronave (OCU).
Enquanto avião de caça e ataque, o AMX apresentava custos mais baixos que seus concorrentes, além de ser eficiente e dotado de tecnologia avançada. Tinha capacidade para apenas um piloto, com assento ejetável. O jato subsônico foi equipado com motores Rolls-Royce, e, além de ser capaz de atingir 750 km/h, era um “avião invisível”, ou seja, sua Caixa de Contra-Medidas Eletrônicas (ECM) emitia sinais contínuos para confundir o radar ou qualquer outro tipo de sensoriamento.
A apresentação oficial do avião ocorreu na Itália em maio de 1985 e o primeiro protótipo do AMX construído no Brasil – o quarto do programa – fez seu rollout e primeiro voo oficial em outubro daquele ano. Em 1988, o primeiro AMX de fabricação seriada voou na Itália e a primeira entrega à FAB, que adquiriu um total de 54 aeronaves em três lotes de encomendas, ocorreu em 17 de outubro de 1989.
Nome da Aeronave: AMX
Nicho de Mercado: Defesa & Segurança
Especificação de Motores: 1 Rolls-Royce Spey MK 807 turbofan
Velocidade Máxima de Cruzeiro: 750km/h
Comprimento: 13.57m
Altura: 4,43m
Envergadura: 8,88m
Início do Projeto: 1963
Início do Projeto: 1980
1º Voo: 16/10/1985
Rollout: 22/10/1985
- Ozires Silva