O sucesso dos dois primeiros protótipos do EMB 100, construídos pela equipe do então CTA (Centro Técnico de Aeronáutica) sob a liderança de Ozires Silva, lançou aos engenheiros o desafio da produção seriada e da comercialização do avião. Para tanto, o Governo Federal oficializou a criação da Embraer, em 19 de agosto de 1969.
A companhia iniciou suas operações em 2 de janeiro de 1970 e, enquanto os dois protótipos do Bandeirante acumulavam horas de voo, a equipe de projetistas produzia uma terceira unidade. Paralelamente à produção, novos estudos constataram que as condições de mercado haviam se modificado e os oito lugares que o avião oferecia já não eram suficientes para a demanda das companhias aéreas regionais.
A Embraer decidiu, então, reformular o projeto, criando o EMB 110 Bandeirante, maior - com 12 lugares na versão militar - e com avanços técnicos em relação às primeiras unidades.
A fabricação seriada do EMB 110 teve início em 1971 e, no mesmo ano, a aeronave foi certificada pelo CTA. No dia 9 de agosto de 1972, o primeiro Bandeirante de fabricação seriada levantou voo. Dez dias depois, foi realizada uma cerimônia na Embraer para celebrar sua apresentação pública.
Em 9 de fevereiro de 1973, foi realizada a primeira entrega do EMB 110 Bandeirante para a Força Aérea Brasileira (FAB). Em 11 de abril, foi entregue o primeiro Bandeirante para uma companhia aérea comercial, a Transbrasil, cujo pedido havia sido feito apenas três meses antes. O primeiro voo comercial do Bandeirante ocorreu em 16 de abril de 1973, operando em cidades do sul do país.
O avião foi bem aceito pelo público e pelas companhias operadoras. Era leve e com ótima relação custo-benefício, respondendo às demandas do mercado aéreo regional. Também respondeu muito positivamente à primeira crise do petróleo em 1973, quando ocorreu uma alta significativa nos preços dos combustíveis, que onerou a operação de aviões a jato. O Bandeirante, muito mais econômico que seus concorrentes, tornou-se ainda mais competitivo.
Em 1975, a Embraer exportou os primeiros Bandeirante: duas aeronaves foram vendidas para a Força Aérea Uruguaia. Dois anos depois, foram iniciadas as exportações do Bandeirante para companhias aéreas– sendo a primeira para a francesa Air Littoral. Antes de entregue, o avião foi exposto em um dos mais importantes eventos de aviação do mundo, o Salão Internacional de Le Bourget, na França.
Era a primeira vez que a Embraer participava do airshow. Para ampliar as exportações do Bandeirante, a Embraer passou a buscar certificações de organizações internacionais. Em 21 de dezembro de 1977, a aeronave recebeu a certificação da Direction Générale de L'Aviation Civile (DGAC), da França. Em 15 de agosto de 1978, recebeu o registro da Civil Aviation Authority (CAA) no Reino Unido.
Após a conquista da homologação em diversos países, a empresa buscou a certificação nos Estados Unidos, junto à Federal Aviation Administration (FAA). No entanto, até o fim da década de 1970, o uso de aviões de pequeno porte em rotas regionais não era permitido no país. Depois de diversos acordos, em maio de 1978, a FAA modificou as exigências para a operação de aviões menores. Neste novo cenário, a Embraer precisava apenas de um comprador para dar início ao processo de homologação, o que ocorreu em 21 de junho de 1978, quando Robert Terry, presidente da Aero Industries, fechou um contrato de compra de três unidades do Bandeirante, as quais seriam utilizadas pela Aero Commuter, subsidiária da empresa.
Assim, em 18 de agosto de 1978, três dias após a homologação na Inglaterra, o Bandeirante EMB 110 foi homologado pela FAA. A partir daí, o Bandeirante passou a ser exportado para diversos países. O expressivo sucesso de vendas no exterior foi um dos fatores que levou a Embraer a constituir, em 1979, uma subsidiária nos Estados Unidos: a Embraer Aircraft Corporation (EAC), com sede em Fort Lauderdale, Flórida. Além de fornecer peças de reposição, a EAC tinha como objetivo ampliar a participação da Embraer no mercado norte-americano e prestar assistência técnica e treinamento para várias companhias de commuter que voavam entre cidades pequenas.
Posteriormente, em um estudo feito com as empresas aéreas, demonstrou-se a necessidade de implementar novas melhorias na aeronave, como aumento do espaço interno, diminuição de ruído na cabine, maior potência das turbinas, aviônicos mais modernos e instalação de uma porta para os tripulantes. Essas modificações deram origem aos modelos P1 para 18 passageiros, e P2 para passageiros e cargas (com porta larga), que logo foram homologados na FAA e depois em outros países. Em pouco tempo, o Bandeirante estava preparado para operar nas mais adversas condições, enfrentado temperaturas entre 30°C negativos e 40° positivos.
A linha de produção do Bandeirante foi encerrada no final de 1991, sendo a última aeronave SN 498 (sob encomenda) entregue para o Governo do Amazonas, em 1995. No total, foram fabricadas 498 unidades, 253 para o Brasil e 245 vendidas para outros países.
Modelo de produção inicial para transporte militar com doze lugares. Equipado com motores Pratt & Whitney Canada PT6A-27 de 680HP e naceles redesenhadas alojando completamente o trem de pouso recolhido.
O projeto do EMB 100 Bandeirante, iniciado antes mesmo do nascimento da Embraer, deu base ao desenvolvimento de diferentes aeronaves, incluindo o modelo militar EMB 111 “Bandeirante Patrulha”, apelidado nacionalmente por “Bandeirulha”. Apresentado em 1977, o avião foi concebido para protagonizar missões de esclarecimento marítimo, busca e salvamento.
Versão de aerofotogrametria na área militar, equipado com câmeras Zeiss, com capacidade para até cinco passageiros/operadores.
Versão especial do EMB 110B com alternativa de conversão rápida para transporte de até catorze passageiros. Duas unidades construídas, uma para a Força Aérea do Uruguai e outra civil.
Versão especial aerofoto-executivo, para executar missões de aerofotogrametria, para nove passageiros.
Versão de transporte civil com quinze, doze ou dezesseis lugares, desenvolvido especialmente para atender o transporte aéreo regional. Cinco exemplares foram fornecidos para a Força Aérea do Uruguai.
Versão especial do EMB 110C com dispositivos anti-gelo fornecida para a Marinha do Chile.
Versão de transporte executivo do EMB 110C com seis ou oito lugares, poltronas reclináveis, mesas dobráveis, som estereofônico, ar condicionado e comissaria completa.
Versão do EMB 110E com equipamento especial.
Versão de transporte militar com capacidade para 1.650kg. Equipado com motores Pratt & Whitney Canada PT6A-34 de 750HP, deriva ventral, comprimento da fuselagem de 14,60m, porta de carga traseira e porta extra de passageiros e tripulação.
Versão de transporte civil do EMB 110K1 com dezoito lugares. Equipado com motores Pratt & Whitney Canada PT6A-27 ou PT6A-34. EMB 110P1 - modelo de conversão rápida passageiros/carga do EMB 110P.
Modelo de conversão rápida passageiros/carga do EMB 110P com até 21 lugares, sem porta de carga e com peso máximo de 5.670kg.
Versão de conversão rápida passageiros/carga do EMB 110K1 com carga útil semelhante. EMB 110P1SAR - versão SAR do EMB-110P1 (K) com acomodações para seis macas e peso máximo de 6.000kg. Designação na Força Aérea Brasileira (ver cards em azul):
Versão civil, com as subvariantes EMB 110P2A, 110P1A/41 e 110P2A/41 iguais à P1, mas com diedro dos estabilizadores horizontais de 10°, melhor isolamento acústico e outras alterações.
Versão de pesquisa geofísica para executar trabalho de sensoriamento remoto, feita a partir do EMB 110C com maior volume de tanque interno da asa, haste de magnetômetro na deriva, dois operadores de equipamentos e motores Pratt & Whitney Canada PT6A-34 de 750HP.
Nome da Aeronave: EMB 110 Bandeirante
Nicho de Mercado: Aviação Comercial, Defesa & Segurança, Aviação Executiva
Capacidade de Passageiros: 12
Especificação dos Motores: 2 Pratt&Whitney PT6A-27, 680HP cada
Velocidade Máxima de Cruzeiro: 418km/h
Alcance: 1850km
Distância de Pouso: 530m
Distância de Decolagem: 460m
Comprimento: 15, 08m
Altura: 4,92m
Envergadura: 15,32m
Início do Projeto: 1965
1º Voo: 16/08/1972
Rollout: 09/08/1972
1ª Entrega: Aviação Comercial - Transbrasil - 11/04/1973
Final de Produção: 1991